20.3.12

Experience is a good school, but the fees are high.
Há já bastante tempo li essa frase de Heinrich Heine em algum lugar e ela se tornou uma das minhas preferidas. Penso nela com mais frequencia do que gostaria (e deve ser essa a razão da preferência). Já falei aqui sobre como tenho uma caixa cheia de arrependimentos e não confio em quem não tenha nenhum. Na verdade, não acredito em quem diga isso, nem mesmo na Édith Piaf. Todos hão de ter arrependimentos – e não só do que não se fez, por favor! Por outro lado, admiro quem olha para os seus e diz “pelo menos com isso eu aprendi determinada coisa”. Ou “no fim, esse erro me trouxe mais coisas positivas do que negativas”. Eu raramente penso algo parecido. No mais das vezes, preferiria jamais ter aprendido a lição que aquele arrependimento me ensinou. Se pudesse, apagaria tudo, do começo ao fim. Daria um reset. E talvez um dia – ainda bem distante de hoje – eu me acharia menos sábia. Mas eu certamente seria mais feliz. Ou menos ressentida, ou menos amarga, ou menos cética, ou com menos tempo desperdiçado – o que no fim, não é, significa mais feliz.

23.11.11

eu vim devolver o seu cinema italiano.
Eu costumava sofrer com referências roubadas. [Já soube explicar com mais elegância o que é uma referência roubada, mas hoje eu só sei explicar assim: você tinha algo que era seu - qualquer coisa: uma música, um filme, uma escola literária, uma pessoa, uma frase, um país, um sonho, you name it - que você havia descoberto sozinho e pela qual você tinha um afeto significativo; então outra pessoa conheceu isso através de você e passou a gostar disso tanto ou mais que você, e daí para frente você nunca mais conseguiu pensar/ver/ouvir aquela coisa sem se lembrar da outra pessoa. Era seu, agora é do outro também: você foi roubado].

Mas não pensava nisso faz tempo, pois entre roubos e desistências voluntárias, praticamente não me sobraram referências. E sendo assim, o assunto perdeu a importância. Até que outro dia, depois de negar no automático um convite para ir ao ciclo de cinema da embaixada italiana (ou qualquer coisa assim; confesso não ter prestado tanta atenção), eu me dei conta de um fato óbvio que até então me passava desapercebido (e a frequência com que fatos óbvios me passam desapercebidos...deixa pra lá): quem sempre roubou referências fui eu! Dois terços das minhas finadas referências tinham sido incorporadas de outras pessoas; outras pessoas mais ingênuas, mais desapegadas ou menos egoístas que nunca me acusaram de roubar nada.

Como o cinema italiano. Eu nunca liguei muito para isso, na verdade. Quem gostava mesmo era ele....mas a incorporação foi tão bem feita que só me restou lamentar quando ele foi embora levando junto os antonionis e os fellinis. Que tempo perdido.

Se ainda soubesse onde ele mora, embrulharia todos os filmes para presente e mandaria entregar com um cartão do tipo “em devolução”. Como não sei, G. T., ficam aqui meus agradecimentos.

14.11.11

como saber.
quando é realmente a ultima vez que vc verá alguém? a ultima vez que vc poderá dizer alguma coisa - tantas coisas - para alguém? a ultima vez de qualquer coisa? diga agora ou cale-se para sempre? o que fazer agora ou nunca mais?

11.10.11

So I was instructed by my therapist to make four lists. First, what I need to do or I won't be happy. Second, what I need to do now. Third, what is right. And fourth, what is wrong (and I could take out of this list, the items that already appear in the second list). So five days went by and I got to two things that I need to do at some point in life, all long-term plans; five things that I need to do to now, two things that are wrong and none that is right. None, zero, nothing. How can that be? I mean, I am no child, I've had control of my life for quite some years now. And I have done nothing right? So I ended up more upset than I was in the beginning. Therapy is so counterproductive. Or is it that you have to be really really upset, almost depressed, so that you can see the light and be happy? Dimiter I., cartas de 2011 (ou a vida é assim mesquinha em qualquer lugar).

24.9.11

mais nao-declarações de amor.
I can't hardly remember what my life was like before I met you. But it's been so long since we were together that I have almost forgot how life was when I was with you. That is a tragic thing, you see. Because I am now living a life that I don't recognize. At all.

17.9.11

quando voce para para observar, é realmente impressionante o quanto a maioria das pessoas é auto absorvida em sua vida e dá pouca atenção ao que os outros dizem ou ao que se passa a sua volta.

3.9.11

Eu: Mas ela não era legal?
Ele: Era...
Eu: Mas?
Ele: Mas...pra sair com gente legal, eu saio com os meus amigos. Tem que ser mais que isso.

É. Tem que ser mais que isso.

25.8.11

Ela disse:

- Meu coração tem vinte anos. E não são vinte anos de malandragem.

<3

23.8.11

that awkward moment when:

você percebe que está recebendo conselhos do seu ex-namorado sobre como agir com o atual.

20.8.11

10.8.11

...is the acceptance that nothing truly lasts, and that love inevitably fades.

Não lembro de onde tirei a frase nem o seu autor. Me faz pensar em Woddy Allen...mas será? Bem, não importa. Taí uma verdade.

8.8.11

Meus dois esportes favoritos na vida:
1 - escapismo;
2 - second guess myself.

21.7.11

Cecilia perguntou-se, como fazia às vezes quando era apresentada a um homem, se seria com aquele que ela terminaria se casando e se haveria de se lembrar daquele momento pelo resto de sua vida - com gratidão ou com um arrependimento profundo.

via.

28.6.11

Ela me olhou e disse "tudo bem; você é um gosto adquirido." E interpretando minha cara de espanto como sendo de não haver entendido, completou "quis dizer que você é um gosto que se adquire com o tempo".

aí não dá né. não dá. não causar uma boa primeira impressão é uma coisa; ser um gosto adquirido é outra beeem diferente.

22.6.11

o primeiro item disso aqui continua sendo verdade. mas já não é mais verdadeira a minha sensação de estar falando com as pessoas certas ao ouvir algo muito diferente de volta. músicos, fotógrafos, designers, jornalistas do caderno cultural: vocês são lindos e incrivelmente sedutores. mas pra mim já deu.

5.6.11

humanos.
1 - você quer muito uma coisa. muito muito. muito muito muito. é a obsessão da sua vida. e depois que consegue, em dias acha tudo blé e se pergunta porque perdeu tanto tempo querendo isso.

2 - você não quer mais uma coisa. pensou, pensou, repensou e pensou de novo e concluiu que não era para você. no final, você já estava desdenhando dela. dias depois de ter a dispensado, ao ver que outra pessoa resolveu tomar aquela coisa para si, você se tortura por ter deixado ela escapar.
que coisa triste é rever um filme que você gostou super há alguns anos quando o viu pela primeira vez e achá-lo uma droga.

1.6.11

Homem de terno saindo de casa às dez e meia da manhã de segunda-feira, dez minutos após ter perguntado para a mulher de pijama no corredor se sua cara deixava evidente que ele tinha chegado em casa às cinco, já parado no hall do elevador, vira-se para a mesma mulher e diz:
- Gata, se eu fosse você eu tomava um banho e ia trabalhar também. Porque nesse ritmo aqui nós não vamos poder casar nem num daqueles casamentos coletivos gratuitos que fazem por aí de vez em quando.

31.5.11



e de arrependimentos eu entendo.

30.5.11

sou praticamente incapaz - num nível quase crônico - de dizer "eu te amo". mas duvido que alguém saiba escrever não-declarações de amor tão boas como as minhas.
women not girls rule my world.

talvez a coisa mais sexy que já me disseram. e sim, eu sabia que era um quote do prince. mas até aí, eu acho kiss uma música bem sexy.

mas isso são outros quinhentos.
hoje é domingo, mas começa a tocar isso e dentre tantas coisas que poderia pensar a respeito, a única coisa que me ocorre é que minha vida está sim congelada desde a última que lhe vi.

pe-ri-go.

16.5.11

really?
it's never too late to be who you might have been.

G. Eliot.

13.4.11

planejar viagens foi por um bom tempo a coisa mais divertida que eu fiz na vida (mais do que a viagem em si, algumas vezes). hoje em dia...só me interessa saber que dia eu vou e que dia eu volto, e isso só pq. eu tenho um emprego fixo e uma faculdade cara me esperando na volta. se a viagem incluir acompanhantes e eles quiserem decidir tudo, só me dizendo quanto e para quem eu tenho que pagar, tanto melhor. quando respondo "sei lá, e isso importa?" para quem pergunta "o que você foi fazer no rio de janeiro" ou "o que você vai fazer em paris", eu mal me reconheço. mas raramente me sinto tão contente.
what are feelings without emotions?
- Eu amei você. Um dia.
- Há muito tempo?
- Não. Um dia. Não quer dizer "no passado". Quer dizer exatamente um dia. 24 horas.
- Você me amou UM dia? Um só dia?
- É. Na verdade, foi uma noite. Lembra aquela noite, no bar do manhattan? Eu amei você aquela noite. Aquela noite.
- (...)
- Surpreso?
- (...)
- Eu sei...fiz parecer que era muito mais né. Eu também achei que era muito mais. Mas não. Eu sempre gostei de você. Mas amar...foi um dia.

Um oferecimento de La Roux.

6.4.11

quando não consigo dormir, escrevo cartas (e bilhetes).
Querido H.,

São duas e quarenta e oito da manhã, e embora eu tenha desistido de esperar por você à uma e meia, a verdade é que ainda fico espiando a porta com o canto do olho na esperança de que você vá enfim chegar. E se você de fato chegasse, nós conversaríamos sobre dezenas de coisas triviais e meia dúzia de ideias importantes e seria uma madrugada agradável como tantas outras, mas eu, mais uma vez, deixaria de dizer a você aquilo que venho ensaiando há algum tempo, mas não encontro a disposição certa para falar. E então, enquanto você não chega, resolvi escrever esse bilhete, que talvez nunca chegará a você, mas deveria, porque ele é na verdade a única coisa significativa que eu tenho para lhe dizer.

Nós precisamos parar de nos encontrar. Sim, a coisa mais significativa que tenho para lhe dizer é que, daqui por diante, não poderei lhe dizer mais nada.

Beijos, já calados.

31.3.11

m. weber,
eu te admiro muito e tal, mas tem hora que você é um mala.
beijos.

27.3.11

recordar é viver. ou ter vivido. ou tanto faz, II: aqui.

22.3.11

So you think I'm alone?
But being alone is the only way to be
When you step outside
You spend life fighting for your sanity.

This is a cold war
You better know what you're fighting for.

Ms. Monaé

we <3 you.

19.3.11

fiquei com saudades.

i'm ready.

14.3.11

meu amor é linear.
Reencontrar amores passados (e que fique registrado, sou uma pessoa de muitas obssessões, poucas paixões e amores quase inexistentes - é dos últimos que eu falo), é tão esquisito. Me faz lembrar da pessoa que eu era naquela época e imaginar que pessoa eu seria agora se tivesse continuado a sê-la. E ainda que eu esteja contente no momento, sempre acho que a minha versão anterior era melhor e penso "poxa, que inveja desse cara". Inveja de quem não muda, não imita, não disfarça, não adapta. Inveja de quem é linear. De quem é consistente.
coisas pensadas, ditas ou ouvidas (esses dias) [e algumas explicações de contexto, a quem interessar].

- às vezes reconstruir é muito mais difícil do que construir do zero. [falava-se sobre barcos, mas eu adaptei imediatamente para relacionamentos amorosos]

- é hora de voltar a pagar alguém para ouvir os meus problemas.

- eu sei que nesse momento você acha que nunca mais vai se interessar por alguém...mas isso é porque você é jovem. [a diferença de idade entre as pessoas não deve ser de dois anos]

- é muito desencontro nessa vida. [o contexto é irrelevante, não é?]

- você é praticamente casado e sabe onde vai trabalhar para o resto da vida; não tem o direito de opinar. [o assunto era "crise do final dos vinte anos"]

- não pense nisso, não vai servir para nada mesmo.
- se eu só puder pensar em coisas que servem para algo...não sobra quase nada para eu pensar.

- once i wanted to be the greatest.